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Alfabetização Midiática

Para Unesco, a capacidade de usar ferramentas de comunicação, entender o papel da mídia e aproveitar a tecnologia de forma crítica deve ser ensinada aos jovens na escola


Capacitar os jovens para o uso crítico das novas tecnologias e para a produção de conteúdo é um caminho necessário ao fortalecimento do uso livre e democrático da mídia. A opinião é do jamaicano Alton Grizzle, da Divisão de Liberdade de Expressão e de Desenvolvimento da Mídia da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Ele participou ontem do Seminário sobre Educação Midiática e Informacional no Brasil, promovido pelo Conselho de Comunicação do Congresso.



Segundo Grizzle, todo cidadão precisa desenvolver habilidades e competências para entender o papel da mídia e ser capaz de utilizar ferramentas de comunicação para articular processos de desenvolvimento e mudança social. A Unesco recomenda que a alfabetização midiática e informacional (AMI) seja incorporada nas escolas.

— Vemos agora uma mudança muito radical no que era o jornalismo tradicional. Agora nós temos o cidadão jornalista, que cria a informação e a coloca em tempo real. Então, é importante que esses jovens tenham as competências adequadas. Através da alfabetização midiática, podemos empoderar o cidadão.

Também participaram do seminário as estudantes Clarice Villarim e Maria Eduarda Silva de Oliveira, de escolas de São Paulo. As duas apresentaram os resultados de um trabalho conjunto de “prática educomunicativa pioneira” de análise e produção midiática. Os alunos produzem vídeos, áudios e textos, além de oficinas de análise de mídia. Segundo Clarice, a iniciativa tem dado maior protagonismo aos estudantes. Maria Eduarda observou que a integração de tecnologias ao aprendizado tem deixados os estudantes mais motivados.

Política pública 

Hoje apenas 4 milhões, dos mais de 38 milhões de estudantes que frequentam escolas públicas, estão envolvidos com alguma atividade relacionada a comunicação e tecnologias, de acordo com Sandra Zita Silva Tine, assessora técnica do Ministério da Educação.

Para Raquel Paiva, do Laboratório de Estudos em Comunicação Comunitária da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e Ismar de Oliveira Soares, presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação e integrante do conselho, está na hora de o país avançar em uma política pública sobre alfabetização midiática e informacional.

— Quem sabe a partir de agora nós tenhamos a oportunidade de dialogar com o MEC, com o Senado e com a Câmara dos Deputados para podermos avançar, com passos bem dados, em torno da execução desse direito: o direito de 45 milhões de crianças e jovens do Brasil terem acesso a essa prática, a esse conhecimento. Isso será muito bom para a mídia, para os profissionais, para os educadores e, especialmente, para os jovens — disse Soares.

Retransmissoras 

O Conselho de Comunicação decidiu encaminhar ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações questionamentos a respeito da situação das retransmissoras de televisão no Brasil. As respostas da pasta embasarão um relatório do colegiado.

Em reunião de ontem, os conselheiros manifestaram preocupação com a saturação do espectro, que tem sido ocupado por um número grande de emissoras retransmissoras, que precisam cumprir menos exigências do que as emissoras geradoras. Com isso, a oferta de conteúdo acaba limitada.

Liliana Nakonechnyj, da representação dos engenheiros no conselho, relatou que o problema é agravado pela preferência dada às empresas de telecomunicação (telefonia e internet). Em algumas áreas, há congestionamento do espectro, e grande parte dele foi retirado da radiodifusão e passado para as telecomunicações, afirmou.

Fonte: Jornal do Senado, Brasília, terça-feira, 8 de novembro de 2016

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