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A relação professor-aluno

Foto: Pixabay
Sobre a relação professor-aluno começo com a fala de um professor que atua, há mais de 25 anos, no ensino de geografia.

Eu fiz a seguinte pergunta “O que você falaria sobre a relação professor aluno para quem está ingressando no magistério?”

Resposta do professor: "Situação muito relativa. Eu nem sei se hoje existe mais uma relação aluno-professor o que a gente observa hoje com a tecnologia é que ainda se tenta manter uma relação de professor dentro daqueles moldes antigos de alguém que ensina. Só que com a tecnologia com o conhecimento que o jovem tem, que a própria criança tem essa tentativa de você ter professor nos moldes antigos eu tenho a impressão que isso não funciona. É preciso sim, você ter pessoas que sejam capazes de trabalhar junto ao aluno sendo professor sim, na essência da palavra, mas não da forma como é praticada hoje. E esse sujeito, esse professor, ele ser um orientador uma pessoa capaz de transitar dentro do processo cognitivo, dentro da idade, da formação cognitiva do sujeito e através desse caminhar, dessa transposição ele conseguir orientar as pessoas ou pelo menos conseguir provocar uma discussão, como Piaget já dizia, a reformulação dos conceitos, através da reformulação de padrão. Eu penso que essa relação professor-aluno hoje ela é muito complicada, ela é passível de uma discussão muito profunda até para saber se ela ainda existe."

Aconteceu comigo: 

Lembro-me de uma professora quando trabalhava em uma escola que me disse "Não abra o sorriso para os alunos fique sempre com cara séria do contrário você perde o controle da sala de aula". Respondi que se fosse para passar o resto de minha vida trabalhando em um ambiente onde não pudesse sorrir eu teria arrumado outra profissão.

Minha perspectiva:

Gostaria de falar sobre essa relação professor-aluno, dentro de minha perspectiva de professor do ensino básico.

Vejo na relação professor-aluno uma relação que se estabelece dentro de uma determinada e determinante hierarquia de poder. Determinante no sentido de que ela, independente da vontade do professor, produz as ações em sala de aula (do professor e dos alunos).

Essas ações são, via de regra, de reprodução do status quo. Ações de ruptura, geralmente, exigem que o professor ceda poder, coisa que a controle institucional, ao qual o professor está submetido, não permite ou muito dificulta.

Um exemplo, o professor (ainda) é o sujeito que (dentre muitas outras atribuições) avalia o desenvolvimento de seus alunos e não existe igualdade entre o avaliador e o avaliado, independente da vontade das partes.

A escola é moldada dentro de um conjunto de forças (nem sempre harmônicas) verticalizada onde o aluno é o lado mais exposto. E no sistema de reprodução do sistema o professor vai continuar “avaliando” o aluno, pois entende-se, antes de qualquer outra análise, que a avaliação é poder.

Um exemplo da resistência é a crítica de alguns professores sobre a aprovação automática dos alunos, onde ouvi “como faremos para os alunos prestarem atenção às aulas agora?” E o pior, a escola sonega informação ao aluno sobre a chamada "aprovação automática"; uma solução encontrada para a manutenção da relação de poder. Em nome da “aprendizagem” eu sonego “conhecimento”.

Não digo que o correto seria ser à favor dessa política [da aprovação automática], o fato é que a justificativa e o método de combatê-la é que está equivocado.

Essa relação de forças se dá entre a escola-professor (reprodução/ruptura) e entre professor-aluno (reprodução/ruptura).

Outro elemento que vai ter influência direta de como se estabelece a relação professor-aluno são os Valores dos professores e dos alunos. Estes possuem origem familiar, social e acadêmico/escolar.

Os valores em construção ajudam a moldar a relação professor-aluno. Podem ou não entrar em conflito com a relação de poder estabelecida e os resultados podem ser bastantes desastrosos, para o professor e sobretudo para os alunos.

Sobre afetividade:

Existe um lado afetivo nessa relação professor-aluno? Eu considero, melhor dizendo meus valores me levam a acreditar que toda relação humana, e a relação professor-aluno trata-se de uma relação humana, ela é baseada em afetividade. Então sim, pois fui condicionado a pensar assim.

A pergunta para reflexão é: Existe aprendizagem sem afetividade? A afetividade na relação professor-aluno é uma condição?

Aqui o sentido de afetividade está relacionado à capacidade individual para experimentar sentimentos e emoções. Ou seja, a capacidade do ser humano de reagir prontamente às emoções e aos sentimentos. Não significa dizer que seja apenas bons sentimentos, sentimentos de raiva, angústia entre outros também podem estar presentes nesta relação professor-aluno.

Só reforço que a afetividade pode ser media numa escala de maior ou menor intensidade o que reforça a tese dos valores acumulados (você terá maior ou menor afetividade nas relações com seus alunos dependendo dos seus valores) e sobretudo da relação de poder existente. Quanto maior a afetividade (positiva, de bons sentimentos) presente na relação menor o grau de poder entre as partes.

E você caro leitor, como avalia essa relação professor-aluno? Deixe sua opinião nos comentários deste blog. Socialize suas experiências.😉

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