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Imigrantes no Brasil

Imigrantes no Brasil 

Em meados do século XVIII, o Brasil possuía uma população de africanos escravizados significativa e que crescia em grandes proporções a cada ano. A formação de quilombos e outras atitudes de revolta dos cativos alimentavam o medo das elites de que essa massa negra se unisse e tomasse o poder. Somado a isso, havia a necessidade de garantir suas fronteiras, grandes áreas despovoadas ao sul da colônia ameaçadas pela presença espanhola.

Diante desse quadro, a Coroa portuguesa iniciou uma política para trazer ao Brasil súditos portugueses interessados em se estabelecer aqui definitivamente. A primeira iniciativa foi direcionada a casais de Açores, um conjunto de ilhas portuguesas localizado no Atlântico. O estímulo à vinda de famílias de outras nações europeias só começou em 1808, quando terras foram concedidas a imigrantes que já estavam em território brasileiro.

Dez anos depois, iniciou-se um projeto de imigração planejada do Brasil, com a criação de uma colônia de suíços na Fazenda do Morro Queimado, em Cantagalo, no Rio de Janeiro, de onde se originou a cidade de Nova Friburgo. Oficialmente, a intenção era tornar produtivas as terras despovoadas. Em 1850, quando o tráfico negreiro foi proibido no Brasil, o preço dos escravos disparou e faltava mão de obra para trabalhar principalmente nas lavouras de café do interior paulista. A solução foram os imigrantes europeus, em especial, os italianos, que passaram a chegar ao país em grandes levas, para suprir a necessidade de mão de obra. Depois de 1870,  a imigração de vários povos europeus se acelerou.

Vale lembrar que a vinda de imigrantes não foi resultado apenas de necessidades portuguesas ou brasileiras. Na maioria dos casos, imigrantes se deslocaram para cá devido a crises em seus países de origem, buscando no Brasil melhores condições de vida.

Dentre os diversos grupos étnicos que vieram para o Brasil nesse contexto, destacam-se: 


Portugueses: segundo grupo que mais povoou o Brasil, ficando atrás apenas dos negros africanos, eram poucos até 1700; mas, entre 1700 a 1850, foram fortemente atraídos pelo ouro brasileiro, das Minas Gerais, deixando profundas heranças culturais em nossa terra. 

Espanhóis: começaram a vir para o Brasil em massa na segunda metade do século XIX. Em sua maioria, eram camponeses, tidos como mão de obra pouco qualificada, e uns poucos chegaram a possuir pequenas propriedades agrícolas. No geral, foram assimilados pela cultura brasileira, deixando poucos traços de identidade cultural.

Italianos: chegaram ao Brasil em grandes levas, entre 1880 e 1930, motivados pelos inúmeros problemas enfrentados na Europa, como o crescimento da população e a industrialização. Direcionados principalmente às fazendas de café e às primeiras fábricas da cidade de São Paulo, deixaram uma profunda influência na cultura paulistana, tendo ainda presença marcante em outras regiões do Sul e Sudeste do Brasil.

Alemães: a partir de 1824, imigrantes de origem alemã deixaram a Europa, atraídos pela fartura de terras no Brasil e em busca de melhores condições de vida. Com os italianos, foram os principais responsáveis pela ocupação do sul do Brasil. Criaram grandes comunidades, que até hoje guardam muitos costumes germânicos.

Árabes: começaram a desembarcar no país no final do século XIX, mas apenas no início do século XX chegaram em quantidade expressiva, sendo a maioria de origem libanesa e síria. Ao contrário de muitos outros povos imigrantes, não vieram para trabalhar nas lavouras cafeeiras, estabelecendo-se no meio industrial e comercial. Espalhados por todo o país, concentraram-se na Região Sudeste.

Japoneses: assim como outros imigrantes, os japoneses vieram para o Brasil diante de sérios problemas em sua nação, em especial a Revolução Meiji, de 1868, que resultou em profundas mudanças políticas e econômicas no país. Assim, em 1908, os primeiros japoneses desembarcaram no porto de Santos, em São Paulo. Outras levas vieram, concentrando-se no próprio território paulista e no Pará. Tiveram bastante dificuldade para se adaptar à cultura brasileira, criando grandes comunidades japonesas que ainda preservam muitas tradições de sua terra natal. Atualmente, o Brasil é o país com a maior população japonesa fora do Japão.

Judeus: grandes levas de judeus chegaram ao Brasil, principalmente nas décadas de 1920, 1930 e 1940, em razão das duas Guerras Mundiais, mas muitos deles já habitavam as terras brasileiras bem antes. Na maioria dos casos, fugiam de perseguições religiosas. É importante lembrar que ser judeu não significa pertencer a um grupo étnico, sendo mais uma questão religiosa e cultural, o que torna qualquer estudo sobre a questão migratória desse povo particularmente complexo.

Veja, na tabela a seguir, os principais imigrantes que entraram no Brasil entre no final do século XIX e a metade do século XX.


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População residente em área urbana 73,92 %
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Taxa bruta de natalidade 12 por mil
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